Cravo

UM “ENSAIO” SOBRE LUIS GÓIS, GRANDE CANTOR DE COIMBRA

LIVRO DE JORGE CRAVO DE DOCE LEITURA

“LUIZ GOES – O NEOMODERNISMO NA CANÇÃO DE COIMBRA OU O ADVENTO DA ESCOLA GOESIANA”.
Este é um livro de autoria de JORGE CRAVO que foi e é um confesso admirador de GOES e um conceituado cantor de Coimbra e historiador do Fado Académico. A este género
chama Jorge Cravo CANÇÃO DE COIMBRA, um conceito guarda-chuva, ou seja, de maior abrangência. Apesar de ter sido editado há algum tempo falo-lhes deste livro porque é uma
obra completa e de indispensável leitura acerca do cantor e médico LUÍS GOES que já é uma saudade física embora haja sempre a possibilidade e prazer em escutar a sua voz e as canções porque as deixou editadas. Jorge Cravo opta, pois, pela nomenclatura Canção de Coimbra onde se insere o ponto de vista de Luís Góis que nos falava da sua música, não como fado, mas como “música de matriz coimbrã”. Logo na apresentação desta sua obra, Jorge Cravo escreve que no “envolvimento da Canção de Coimbra, a partir da década de 60, no imaginário associativo, social e político da Academia, da cidade e do País, emerge, pois, a figura de Luiz Goes que, embora distante de um profundo comprometimento político, nem por isso esteve ausente da contestação intelectual e artística que era apanágio dos cantautores da época”.
Esta foi uma faceta prodigiosa e importante de Goes: conseguiu produzir trabalhos artisticamente perfeitos onde a contestação fintava as malhas da Censura com uma inteligência notável e por isso as suas canções se escutavam, sem problemas censórios, nas rádios do “Antigamente”. O Professor Doutor LUÍS REIS TORGAL, ainda neste livro, no capítulo
À Maneira de um Prefácio, fala-nos de Luís Góis como “um humanista, diferente dos humanistas de esquerda militante, como foram Zeca ou Adriano”. Zeca e Adriano estiveram
proibidos. Luís Góis abraçou, em nosso entender, causa comum, mas num caminho difícil, eticamente irrepreensível, ao estar presente, e estar na frente, recusando ser recusado para poder continuar a cantar, um canto que foi de arte, de luta e de causas gerando o que apelida Jorge Cravo de ESCOLA GOESIANA considerando que nasceu com este cantor e autor um movimento de renovação estética que entroncou no movimento presencista e no padrinho daquela folha de Cultura e Arte, Edmundo de Bettencourt.
LUÍS GOES foi um cantor de constante RENOVAÇÃO (a palavra é ainda mais adequada neste Tempo de Páscoa). Renovação na forma de cantar e no discurso poético. “Com Luiz Goes o
neomodernismo chega à Canção de Coimbra”, avança Jorge Cravo neste livro dedicado a quem já nos deixou, mas deixando uma obra ímpar que precisa de ser escutada com regularidade para compreendermos o que foi Portugal entre os anos 60 e 90 do século passado; e como foi a evolução da Canção de Coimbra no mesmo período.
Portugal, pobre em valores, pouco escutou, na hora do seu “adeus”, canções de Luís Góis. Poucas rádios lhe dedicaram o tempo que o génio criativo e interpretativo de LUÍS GOES Ser ingrato e não reconhecer o mérito implica a necessidade de escutarmos, sempre que possível, “Homem Só, Meu Irmão” na voz de Luís Góis, uma das suas mais sentidas
interpretações.
A CANÇÃO DE COIMBRA tende a ser eclipsada e as grandes vozes deste garboso género musical estão quase votadas ao esquecimento, pelo menos, nos dias de agora, nas rádios e
televisões nacionais.
Talvez isto mude.

Interatividade: sansaocoelho@coimbracanal.com