Arquivo da Categoria: Arte e Cultura

É preciso que saibas, na Casa da escrita – Coimbra

É preciso que saibas, na Casa da escrita – Coimbra
Exposição patente de 10 de julho a 28 de setembro.
Jaime Alberto do Couto Ferreira
Professor Catedrático de História Económica e Social na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (aposentado em Agosto 2006).
Nasceu em 1 de Junho de 1944, na freguesia de Famalicão da Serra, no concelho e distrito da Guarda.
Colaborou na Revista “Vértice” com Joaquim Namorado e conviveu com o núcleo neo-realista de Coimbra de que fazia também parte João José Cochofel.
Escreveu diversos livros dos quais se destacam:
• A dessacralização do pão: políticas de abastecimento no Antigo Regime: do concelho ao Estado Iluminista (Campo das Letras);
• Pangeia, Sala do Exame Privado. E a tacanhez de um tempo! (Âncora);
• Hieracita (Âncora);
• Joaquim Namorado: herói do Neo-realismo mágico (Lápis de Memórias).
Pintou, desenhou e participou em inúmeras exposições das artes plásticas, colóquios e conferências.
Continua, hoje, a sua atividade ligada às artes, desenhando os seus amigos mais próximos.

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EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE VALDEMAR JORGE – PONTOS DE PARAGEM

MUSEU DE ALVAIÁZERE | JUNHO DE 2015

Nos dias que correm, em que o tempo é acelerado e vertiginoso, parar para pensar ou para desfrutar de algo no tempo lento da reflexão e no modo do exercício imaginativo das variações de perspetivas e das infinitas versões em que a realidade se sugere, torna-se uma tarefa cada vez mais rara.

No frémito dos dias de hoje, parece que estamos sempre, apenas e só, de passagem, tocando momentaneamente a superfície das coisas, sempre sem tempo para nos determos perante o que de nós requer uma disponibilidade mais afoita e dedicada.

Não estar apenas de passagem mas, pelo contrário, procurar pontos de paragem, é o mote, e o espírito, que anima a presente exposição fotográfica de Valdemar Jorge.

As suas fotografias convidam-nos a parar e a surpreendermo-nos com ângulos que nos levam sempre para além do que ficou fixado no momento do disparo. Elas convidam a um segundo olhar e, dessa forma, a interromper com o mundo do dejà vue, a mergulhar no bailado das significações possíveis, na contingência dos significados eventuais e no espanto deleitoso das perspetivas inauditas.

Valdemar Jorge utiliza a sua máquina fotográfica como um instrumento de desenho, utilizando os recursos de enquadramento, de zoom, de cor e tantos outros, para criar um viés visual que desvela o habitualmente inobservado.

Ao mesmo tempo que fotógrafa, Valdemar faz um exercício de sensibilidade que muitas vezes obriga a repetir o gesto do clique e que nem sempre alcança a visibilidade pretendida. Por isso, ele encara este trabalho prazeroso como um desafio que muitas vezes exige esperar pelo momento certo e pelas condições que podem envolver de magia um olhar diferente.

De há muito que sou amigo do Valdemar e sempre o conheci como um amante da fotografia. Ele tem o gosto de quem procura a gratificação da experiência estética e não o cumprimento de uma função profissional. Por isso a fotografia é, para ele, um abrigo, um espaço de gratuidade e uma forma de partilha.

Juntos, já passamos horas a olhar para as suas fotografias, a descobrir minudências inesperadas que, de repente, saltam das imagens, a sorrir perante a forma inaudita como, por exemplo, nos dá a ver Coimbra – um motivo recorrente no seu espólio fotográfico – mas, também, outros locais, e a tecer variações imaginativas que ampliam os nossos horizontes percetivos. Esses exercícios aliam a fruição estética a um sentimento de liberdade e de libertação que nos permite parar em vez de apenas passar e olhar sem ver.

Espero que os visitantes desta exposição possam beneficiar também desta partilha generosa que o Valdemar Jorge nos propõe e que, na paragem perante o parado das imagens, a passagem não represente falta de tempo, mas signifique, antes, o início de uma pequena viagem aos efeitos de surpresa das perspetivas que, fazendo-nos fruir, nos mergulham nas visibilidades plurais e infinitas do mundo.

Rui Alexandre Grácio

Ciclo de Concertos Primavera – ALL LIBITUM TRIO

No âmbito do Ciclo de Concertos Primavera, este concerto é a favor da ADAV-Coimbra e da LAHUC Solidária, que festeja este ano o seu 25. aniversário! Contamos com sua presença! Bilhetes (5 €, 3 € estudantes) à venda na ADAV (na Rua Lourenço Almeida Azevedo, 27, tel. 239 820 000) e na LAHUC (no átrio de entrada dos HUC).

O 2.º concerto do Ciclo de Concertos Primavera estará a cargo do excelente ALL LIBITUM TRIO. É já no próximo dia 19 de Abril, às 17h e 30, no Seminário Maior de Coimbra.

Mariana Barradas, Violoncelo
David Nunes, flauta
Fábio Palma, Acordeão

Ciclo de Concertos de Primavera «Arte e Solidariedade»

A ADAV-Coimbra e a LAHUC, com a preciosa colaboração e o empenhado apoio do jovem músico Tiago Nunes, uniram-se na organização do Ciclo de Concertos de Primavera «Arte e Solidariedade», que decorrerá nos meses de Abril, Maio e Junho de 2015.
programa

O programa do evento conta com oito concertos solidários de elevada qualidade artística, que terão lugar no Conservatório de Música de Coimbra, na Sé Velha e no Seminário Maior de Coimbra.
Este Ciclo de Concertos, no qual estão envolvidos muitos artistas portugueses e estrangeiros ligados à música clássica, tem como tema a Arte e a Solidariedade, assinalando igualmente o aniversário da LAHUC, que comemora 25 anos de existência.

Homenagem ao Professor Doutor José Oliveira Lopes
Dia 6 de Abril
21h 30m
Auditório do Conservatório de Música de Coimbra

Recital de piano e canto por
Carla Bernardino, soprano
José de Eça, tenor
Tiago Nunes, piano

Bilhetes/Reservas
ADAV-Coimbra
Telef: 239 820 000
Telm: 913 109 066

O programa desta noite é bem diversificado: inclui canções (“lieder”), árias de ópera/oratória, napolitanas e uma obra para piano.

O primeiro compositor – Mário Sousa Santos (1914-1983) – dedicou a sua vida profissional a Coimbra, ensinando e compondo. Esta “canção” sobre um poema de António Botto – poeta que o compositor muito apreciava – é de um romantismo intenso. Em “Os Anéis do Meu Cabelo” a música serve, de uma forma magistral, o texto angustiado.

Seguir-se-á “Aprés un Rêve”, de Gabriel Fauré (1845-1924) – curiosamente um dos compositores mais admirados por Mário de Sousa Santos. Foi escrita entre 1870 e 1878, e é sem dúvida uma das mais conhecidas obras para Canto. O texto francês é inspirado num poema anónimo italiano, e tenta ligar ao amor ao sonho, concluindo: “Volta, oh Noite Misteriosa”.

Dos “Cinco Lieder op.115” de J. Bramhs (1833-1897), ouviremos um dos mais populares do autor: “Wiew Melodien Zieth Es Mir” (Assim como uma melodia). Dos “Lieder and Songs, op. 63” segue-se “Meine liebe ist grün” (O meu amor é verde), escrito em 1873/74 com poema de Felix Schumann, poeta, filho de Robert e Clara Schumann.
Em 1846 Felix Mendelssohn (1808-1847) publica a Oratória “Elias”, obra de enorme envergadura, aqui recordada em “Höre, Israel”, ária para soprano.

Giacomo Puccini (1958-1924 ) estreou a sua ópera mais aplaudida no Teatro Régio de Turim, em Fevereiro de 1896, e sob a direção de Arturo Toscanini : “La Bohéme”. Ouviremos duas árias empolgantes da personagem “Mimi”: “Si, mi chiamano Mimi”, em que se apresenta, diz o que faz na vida e que o seu verdadeiro nome é Lucia; “Donde lieta usci”, ária do 3º acto, em que envolta num dramatismo intenso e doentio, tenta separar-se amigavelmente de Rodolfo.

“Funérailles” – Uma obra mística, lírica, profunda e íntima, que Liszt (1811-1886) escreveu no mês da morte de Chopin – Outubro de 1849 – mas com intenção de prestar uma dolorosa homenagem aos Heróis da Revolução Húngara de 1848. Integra a magnífica recolha intitulada “Harmonias Poéticas e Religiosas” e mereceu a interpretação de inúmeros dos mais relevantes pianistas deste e do século passado.

Na segunda parte surge-nos a “Oração de Rienzi”, de Richard Vagner: “Allmächt’ger Vater, Blick Herab” (Pai Todo-Poderoso, olha por nós). Rienzi, nesta ária, pede a Deus que olhe por ele e não permita que as forças conquistadas se dissipem.

Depois do estrondoso êxito de “Aida”, foi difícil convencer G. Verdi (1813-1901) a escrever mais uma ópera. Quase dez anos depois, a sua penúltima obra foi a tragédia “Otello”, estreada no Teatro Alla Scala de Milão em Fevereiro de 1887. Ária final do último acto “Niun mi tema” (Ninguém deve temer-me”): Otello, arrependido ao acabar de matar injustamente Desdémona, enterra um punhal no seu próprio corpo, beija o cadáver da sua amada uma última vez, e morre.

As vozes de tenor são irresistivelmente atraídas para o canto napolitano. “À Vucchella”, canção de sedução de Paolo Tosti e texto do grande Gabriele D’Anunzio, e “Core’n grato” (Coração ingrato), em que o amor, aqui não correspondido, se espraia nas palavras de Alessandro Cordiferro e na música de Salvatore Cardillo, foram as escolhidas para este concerto.

E o programa pontua com uma graciosa e leve canção brasileira: “Azulão”, do autodidata Jayme Ovalle (1894-1955) e do poeta Manuel Bandeira.

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